Luta vã

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No relógio, cinco e vinte. Água fria no rosto ainda morno. Engole o café antes da batalha. Dois humilhantes pra ir, dois pra voltar. Chega em casa nocauteado. Os braços pesam mais que a consciência. Rosto desfigurado. Pernas adormecidas. Foi uma saraivada de ataques e esquivas. Por pouco não jogou a toalha. Alguns golpes que ultrapassaram a guarda. Outros abaixo da linha da cintura. Dezoito em ponto. Salvo pelo gongo.

– Como vão as coisas, seu Pedro, sempre na luta?

– Por baixo, mas dando soco. Amanhã é dia de São Pega.

*texto premiado no Desafio Literário, competição de escrita criativa organizada pelo Instituto Estadual do Livro (IEL) durante a 62ª Feira do Livro de Porto Alegre. Tema: luta. Gênero: miniconto. 

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