escrever não é preciso

 

antonio maria - foto 7 (1)

Não quero escrever hoje sobre a política nem sobre o frio que assolam esses lados do fim do mundo. Nem sobre futebol. Muito menos religião. Não quero escrever da violência nossa de cada dia. Hoje eu não quero escrever nada que já tenha sido escrito essa semana em algum jornal de bairro. Não quero escrever coisa velha. Escrever assim, sem pretensão de vida útil ao que for escrito, parece, num primeiro momento, até mais fácil do que escrever pensando no assunto, no tema ou no gênero em que se quer expressar as ideias. Aí é que tá! Escrever não é que seja fácil ou difícil. Escrever é treinamento. Diário. Constante. Quando escrever faz parte da rotina pouco importa sobre o que ou como vou escrever no dia de hoje. Pode ser um pedaço de um conto que dormia esquecido numa pasta do computador. Um antigo projeto de romance. Um poema. Ou, essas bobagens que eu escrevo pra registrar o que acontece enquanto vou perdigueando uma boa ideia que eu já farejei ali – quietinha, na moita.

Não escrevo hoje nenhuma carta de protesto nem de amor eterno. Na verdade, eu não queria escrever é nada. Minhas frases todas devem ter nexo algum. Devem fazer sentido oposto ao que eu pretendo. Assim mesmo. O mais confuso possível. Pra escrever todos os dias, haja o que não dizer pra tanta página em branco. Se eu fosse escolher um dia pra contar só às coisas que não me aconteceram naquele dia, precisaria de pelo menos um mês escrevendo todos os dias umas três vezes ao dia. Entenderam? Pois é isso, viu? Hoje pode se escrever o que quiser. Coisas sem sentido nenhum a partir da metade do primeiro parágrafo. Pois não se leem mais textos até o final. Ou se ler, e não compreender, não tem problema. Entanto que curta e compartilhe. Afinal, ninguém entende textão, mesmo.

Por isso, não escrevo hoje pra leitor nenhum que tenha interesse em algo com um mínimo de lógica. Nenhuma prosa pensada. Ideias bem esplanadas e pontos de vistas diferenciados. Não escrevo para apreciadores de boa leitura. Nessas linhas quero deixar apenas essas letras sem um comando maior que lhes organize a formarem algum enredo. Nada disso. Não vou escrever hoje nem conto de fadas nem versos tristes. Nem uma novelinha estranha. Em verdade, em verdade vos digo ilustríssimo leitor que me acompanhou penosamente até aqui. Também sofrendo disso há alguns anos, meu Maria saiu com essa em minha defesa: sabes, eu nem gosto muito de escrever. Se eu soubesse fazer outra coisa. Qualquer coisa. Não estaria aqui escrevendo. Mas preciso escrever. E tenho que continuar. Salve, Maria!

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