Escrever e coçar, é só começar + [ coça, coça] Há de ti, Rubem Braga

 

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Ontem, na feirinha mais amada da minha Poa, fui atiçado com as palavras da prof. Viviane Herchmann, na sala oeste do Santander Cultural. Todo empipocado, sentei-me na escadaria logo na saída, pra outra vez escrever, no celular mesmo, essa minha prosa torta das terças-feiras.

É que escrever, pra mim, parece uma daquelas coceiras que ficam a fingir-se de mortas, mas quando a gente passa a mão por cima sem querer, pronto, não para mais de coçar.

Pois debatia-me no maior comichão sentado na escadaria do Santander Cultural, bem de frente pra tenda Pasargada, que é de onde melhor se observam os tipos, nessa correnteza de gente curiosa que inunda a praça da alfândega por esses dias.

Esse ano ela está menor, é verdade. Mais aconchegante, diria eu em sua defesa. Sempre charmosa, concluiria. Em especial, essa edição foi agraciada com uma patrona, a minha Valesca de Assis, que é ainda mais doce que o doce da rainha da Fenadoce.

“A praça de alimentação também reduziu”, comentam dois gordinhos que passaram bebendo refrigerante. Com essa fartura de alimento pra alma nas bancas, não me acomete o pecado da gula.

No teatro Carlos Urbim, umespetáculoemendanoutro. O auditório Barbosa Lessa transpira oficinas, seminários, palestras. No espaço de conhecimento Petrobrás, bate-papo sobre processo criativo. Negros na literatura, no café do Margs. A sala O Retrato, no centro cultural CEE Érico Veríssimo, recebe autores dos países nórdicos, homenageados da vez. E tem o desafio de escrita criativa do IEL – o “masterchef” das palavras -, no qual foi premiado, na primeira edição, esse grosseiro rapaz que vos relata esses incríveis regozijos literários. Enfim, são coisas assim que me despertam urticária escritiva; qual fossem frieiras, nas entre páginas dos textos de rodapé.

O pavilhão de autógrafos é que me dá brotoejas. Sinto nessas ocasiões o mesmo que seu Érico relata no Solo de Clarineta, com o perdão da comparação absurda, evidente, o seu Érico era muito mais calvo, mas sinto nessas ocasiões, em sessões de autógrafos, como se estivesse assinando um cheque sem fundos. Fora nos casos dos autógrafos coletivos, em antologias, onde o lastro dos colegas compensa esse meu pobre saldo.

Seu Freitas já é personagem, com a máquina lambe-lambe, sempre pertinho do Quintana e do Drummond. Creio que um dia também vira estátua, a prender para sempre o foco nos poetas.

Ouvi, li em algum lugar, sei lá, fiquei sabendo que Pilar del Río vem à feira. Tivesse a oportunidade de fazer-lhe uma única pergunta, umazinha só, não exitaria: “casas comigo?”. Lembrei-me instantaneamente que já estou casado e, também para evitar o constrangimento da resposta, substituo então por alguma pergunta interessante sobre Saramago, só para imprimir seu sotaque nas minhas memórias íntimas.

Mas fiquei me coçando, coçando, e quase não falo no sarau de lançamento do Há de ti, Rubem Braga, homenagem ao pai de todos os cronistas, organizado pelo meu fado madrinho, Rubem Penz, que trouxe a Santa Sede direto do bar para a feira do livro, com os texto mais lindos dos meus amados mestres, colegas de copo, de verso e de cruz: Giancarlo Carvalho, Dora Almeida, André Hofmeister, Felipe Basso, Zulmara Furtes, Rosane Schotgues Levenfus, Gerson Kauer, Ana Paula de Moraes, Jorge Bledow, Clarice Maria Jahn Ribeiro, Mariana Almeida, Letícia Garcia, Ana Luiza Tonietto Lovato, Maria Tereza Vieira Lopes e Maria Lúcia Meirelles Medeiros.

Vai ser lindo! Vai ser na tenda Pasárgada.  Nesse mesmo hoje, 07/11 às 18h. Vai ser bem aqui na minha frente. Vou é ficar por aqui mesmo. Não sei se é o pó das flores ou o pólen dos livros, mas continuo com uma sarna danada nas ideias. Só não pode é terminar minha bater

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1 comentário em “Escrever e coçar, é só começar + [ coça, coça] Há de ti, Rubem Braga”

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