Amanhã vai ser outro dia…

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Escrevo do quarto de um hotel já nem sei direito em qual cidade. Algum lugar entre São Vendelino e Flores da Cunha. Linha 80. Dizia na plaquinha que eu vi lá atrás.

Meus netos vão encher o saco de ouvir as historias do sorriso que a vida me dá nestes dias que teimam em amanhecer antes de eu dormir. Tão intensos e ricos. Tão sublimes em cada momento. E vão dizer: oh, lá vem o vô, de novo, com aquele papo da campanha…
É que, desta campanha, eu tenho histórias e personagens, assim, pra umas três gerações.
Atravessei o estado numa nave, automática, com uma professora de português, doutora em literatura, todinha à serviço da minha curiosidade. Uma jovem senhora com sessenta anos e vitalidade de trinta. Que já subiu o morro pra criar comunidades de base. Teve dois codinomes durante a ditadura. Andou descalça nas ruas da Califórnia vestida de atitude, um par de esmeraldas nos olhos e aquelas roupas Hippie. Mais ainda! Acompanhou-nos um repertório de duas mil oitocentas e trinta e sete clássicos da música mundial.
Fomos de Nina Simone a Jacó do Bandolim. O Album Branco. O Deus da Guitarra. Dona Ivone Lara. Nas retas íamos de Willie Nelson no talo. Na serra batia uma Alcione, assim, de chorar abraçado. Chico à noite. Paul Simon de manhãzinha. Nana Caymmi, depois do almoço. Vez que outra um gritava: Toca Rauull! Quando percebíamos, estávamos com trezentos e sessenta graus de amarelo canola no horizonte.
E os tipos que conheci? As visões que só eu tive? Os mundos particulares aos quais tive acesso?
Escrevo agora para lembrar do livro que vai nascer sobre a campanha. Preciso dormir antes que seja hoje outra vez.

Amanhã vai ser outro dia..
Amanhã vai ser outro dia…

 

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