Minhas mulheres amigas

Mariana Ianelli

Não lembro bem em que esquina virtual nossos códigos se cruzaram, ou, exatamente o momento em que o algoritmo costurou as nossas time lines.

Amigos e amigas em comum nos levam a outras amizades, incomuns, e estas nos levam a mais amizades, fora do comum e assim digita a ciberhumanidade.

O fato é que tenho, em especial, duas amigas virtuais muito, muito generosas, lindas e talentosíssimas, versadoras das canções mais altas da poesia, capazes de tocar e de conversar com este pobre moço através da sua arte, sua potência e sensibilidade.

Uma delas é a querida Mariana Ianelli, que me brindou com o seu “Dia de amar a casa”, livro de crônicas da editora Ardotempo, com ilustrações de Alfredo Aquino, apresentação de Alexandre Brandão e orelha escrita por Cícero Belmar, outros amigos virtuais fora da curva.

Mariana consegue, em tempos de reclusão, fazer com que a casa seja notada em todas as suas nuances, nas recordações dos que já estiveram por ali e que de certa forma sempre estarão, através dos olhos de uma bendita criança que tem fome de saber dos absurdos e das maravilhas do mundo.

Nos cantinhos reservados às nossas intimidades, nas áreas comuns, no jardim, na louça, os quadros, um piano mudo, fotografias, terços pendurados, tudo se converte nas imensas janelas da alma através das quais a escritora contempla o cotidiano e por onde derrama, em fina prosa poética, angústias e alegrias tão similares as nossas que até parece que estamos em casa, na nossa casa.

E eu que já havia recebido um ensaio chamado “Lições de uma escola secreta de poesia”, que veio dedicado às minhas meninas, terminei o ano da peste com meu capital cultural mais rico, minhas convicções fortalecidas e o meu ego em órbita por ter amigas que me presenteiam com livros mágicos, o que não deixa de ser uma forma de carinho, respeito e atenção. “Dia de amar a casa”, você não vai querer estar em outro lugar.

A outra amiga, seu ímpeto, sua afrodisia, seu imenso talento, só revelo na revista RUBEM de quinta-feira, que, aliás, acabo de lembrar, foi onde conheci a Mariana Ianelli. Garanto, o prazer será todo seu.

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